Friday, June 23, 2006

O amor - Carta de um herói covarde

Caro Leitor,
Uma coisa que eu tenho a dizer sobre a vida é que o que mais me incomoda na vida é a própria vida e apesar de eu tentar descobrir o sentido ou tentar fazer um sentido pra ela, mais eu me torno infeliz, e o pior de tudo é que eu encontro felicidade nesse meu desespero...
Bom... Porque eu to escrevendo sobre isso então?
A vida é o somatório de diversas experiências, onde todos têm que agir de forma racional e politizada e à medida que nossas experiências de vida crescem, assim também a gente acaba caindo em desilusões... Essa é a parte mais difícil de crescer e ao mesmo tempo me parece um caminho sem volta, é como se a partir do momento em que você se desilude, o seu mundo se desmantela e você tem que se apoiar em outra coisa que faz a vida dar sentido...
Mas e se a própria vida não é uma ilusão?
Sim, a vida que vivemos pode ser uma ilusão, se em um sonho consciente temos a sensação de que estamos vivendo aquilo tudo, porque então com a vida real não seria a mesma coisa? Quem é que garante que nesse momento nós não estamos sonhando e nos sonhos estamos vivendo? Basta mudar um pouco o seu ponto de vista para perceber que eu não estou errado, mas isso também não significa que eu esteja correto...
Mas porque é tão dificil tomar o caminho de volta? De simplesmente acreditar nas coisas como costumavamos acreditar quando inocentes...
Será que nesse momento em que eu escrevo essa carta desabafando eu não estou tomando o caminho de volta? Quero dizer, se a vida é uma ilusão e eu a vejo como sendo algo real e que tem sentido, então a ilusão da vida passa a ser real também...
Carl Jung, grande psicologo, disse uma vez: “O trabalho da a ilusão de que a vida tem sentido, e o sexo a ilusão de continuidade”... Ou seja... A vida é feita de ilusões e não há nada mais real do que isso...
Bom... O tema dessa carta é sobre paixão, sobre amor, acho que você deve estar começando a entender o conteúdo dessa carta...
Mas se a vida é uma ilusão, a paixão é ilusão e o fato da vida ter um sentido ser uma ilusão, então o que é verdade?
O que eu vejo como verdade então?
A verdade é que pelas experiências que eu adquiri, é que eu me desiludi com o amor, me desiludi com a paixão e quando descobri que a paixão não é nada mais do que um sentimento erótico, isso foi um golpe duro em minha alma, porque no fundo eu gostaria de acreditar que paixão e amor são a mesma coisa, mas a verdade cruel é que não é... Mas porque mesmo eu sabendo disso tudo... Porque então eu sei que no fundo da minha alma eu quero me apaixonar de novo? Mesmo sabendo que a paixão é uma ilusão?
Você já se sentiu assim? Será que no fundo você não quer a mesma coisa?
Pense bem... Se a própria vida é uma ilusão e mesmo assim ela é real, então a paixão apesar de ser ilusória também é real...
Chega a ser idiota falar sobre isso, mas talvez a verdade seja essa, essa confusão e esse caos em harmonia... Você tem que estar triste para ser feliz e tem que estar feliz para ser triste... Um paradoxo absurdo e idiota que quanto mais eu penso, mais eu quero esquecer e quanto mais eu tento esquecer mais eu me lembro... A vida é uma comédia trágica... Porque quando eu olho para as besteiras que eu fiz durante o meu passado e depois de ter me arrependido, chorado e aprendido, hoje eu olho pra trás e vejo aquilo tudo com saudades e dou risadas e se eu tivesse a oportunidade de mudar alguma coisa em meu passado eu não mudaria, porque aquilo tudo me fez ser o que eu sou hoje, mas eu daria tudo o que tenho para voltar a sentir a paixão como se fosse pela primeira vez...
Você se lembra da sua primeira paixão? Garoto um dia andando pela rua esbarra com aquela garota linda, cabelos suaves, olhos gentis e ela nem parece perceber que você esta ali, simplesmente querendo tocá-la, porque toca-la seria quase como tocar uma estrela, talvez seja até a experiência mais próxima disso... E ela vai embora e você se sente como o aquele velho marujo que cai do navio em alto-mar sentindo na ponta dos dedos o casco liso do navio se afastando e você percebe que não pode fazer nada além de saber que esta tocando a salvação e ela esta indo embora e então você se afoga naquele mar revolto de sentimentos com uma tremenda culpa por simplesmente não ter berrado por socorro.. Tudo bem, não sejamos tão dramáticos, mas um simples "oi" já ajudaria bastante a você não passar o resto do dia se martirizando por não ter aberto a boca enquanto ela passava...
E você espera pelo dia em que a força do destino arme um encontro daqueles de novo e enquanto isso passa os dias pensando naquele momento, nos seus corpos se chocando, a cor do cabelo refletindo os raios de sol enquanto ela vai embora e os olhos dela... ahh... os olhos dela... E fica se perguntando: Será que ela me percebeu?
E então chega o dia que o destino ou "você" mesmo arma o encontro tão esperado e quando ela passa você dá aquele "oi" mais idiota, ridículo e desengonçado que uma criança aborrecente já deu para outra pessoa, mas ao mesmo tempo tão inocente que ela percebe e olha pra você e sorri de volta... Ahh... Aquele sorriso... O coração dispara como se tivessem injetado uma dose cavalar de adrenalina na véia e você acredita que isso é o mais próximo que vá chegar do Nirvana, isso é... Se você sabe o que é Nirvana nessa idade... O existencialismo ainda não faz parte das nossas vidas enquanto somos puros e inocentes.
Garoto espera garota todo dia, garoto puxa conversa com garota e bem... Você já deve estar sabendo onde isso vai dar... Não, não estou falando de sexo seu pervertido! Estou falando do primeiro beijo, aquele beijo que você esperou dias, semanas, e às vezes meses (alguns são mais lentos que os outros) e lá esta você e ela, naquele duelo de corpos, ela fala uma coisa, mas seu corpo diz outra, você responde ao que ela fala e seu corpo responde ao corpo dela, e então fica aquele silêncio abafado, as pessoas ao redor já não importam mais, é só você e ela, mais ninguém, naquele meio metro de distância e aquela força mágica entre as almas se faz perceber, o silêncio passa de pacifico a perturbador, as pupilas dilatam, de repente tudo começa a ficar embaçado, olhos nos olhos, aquela percussão extasiante do coração, BUM BUM BUM, um passo a frente, uma mão no rosto, duas mãos no rosto e sabendo que aquele momento é o momento, não há como voltar atrás, não existe mais comunicação verbal, e sim uma comunicação telepática onde ambos sabem o que querem e chega o momento, lábios tocam lábios macios e pulsantes, e você e ela se fundem em uma só pessoa e se tornam o eixo da terra, o mundo gira ao redor dos dois, e aquela fração de segundos onde os lábios se tocam viram eternos, É como se naquele momento um coro de querubins soasse em seus ouvidos e rodopiassem os dois pelo ar em um momento mágico...
Pena que nem tudo é eterno, garoto namora com garota, garoto percebe que é diferente da garota, garota começa a perceber as manias irritantes daquele garoto que outrora foi tão encantador e a paixão e a magia somem como fumaça... Ai vem a primeira briga, o ciúmes, a perda da liberdade e a mágoa... - Como isso é difícil meu Deus, a Deusa que eu amava é o Diabo!
A Deusa por sua vez diz: - Eu o amava, ele é um cara legal, mas ele tem um ciúmes doentio... Seja o que for... Problemas aparecem e fica difícil manter a magia de antes...
O pior é que os apaixonados não vêem aquele momento de paixão como uma ilusão e sim como uma verdade... E vamos ser sinceros, os momentos de maior felicidade na vida de qualquer pessoa foi durante uma paixão. Mas se a própria verdade pode ser feita de ilusões, então porque eu não consigo me apaixonar como a primeira vez? Hmm... Tudo bem, eu de certa forma criei barreiras ao meu redor para me proteger, porque paixão machuca, amor machuca...
Mas qual a graça de não se machucar? Qual a graça de se manter inerte durante toda a vida, pensando na vida e não estar vivendo no meio do caos... Ou você esta na platéia, ou você esta atuando, e os que atuam na vida é quem recebe os aplausos...
Acho que falta coragem em nós adultos tão desiludidos a simplesmente voltar a ser como jovens apaixonados e inocentes...
Os jovens são os heróis de hoje por acreditar na paixão e os covardes de amanhã por tentarem se esquivar, assim como um dia eu fui herói e hoje sou covarde e que se você ainda não foi, um dia vai ser...
Tiago Luiz dos Santos

Mr. Stoneheart




I see all this people while i walk down the road,
Without any paddle,
i keep rowling this boat,
Look at me people,
Look at my soul,
Show me the meaning,
I want you to know,

I can’t see hope,
As you see love as a dope,
You realize you are alone,
Your heart is a stone,
You are alive,
But your soul has gone,
Your feelings are lying,
You think you are laughing,
But you're truly crying,

You call woman of honey,
And throw at them money,
She’s stands at the pipe,
You beg for a bride,
She says good bye,
You wish u could fly,
And stop with the pain,
Sniffing cocaine,

You want to believe,
But you think you’re being naive,
This is the truth, and your mind will blow,
Life has no meaning,
For a hopeless soul
Tiago Luiz dos Santos


Expensive lady

Our Affair started into a bar,
In that day that you were looking for some advice,
There was I like the brightest light,
Shining like stars in a credit card,
I said to you that I was an expansive lady,
You said you were rich,
And you would pay me for all your fantasies,
And in one dance I fulfill your breast with my perfume,
Breathing my air made you a real man,
I assure you that with me you would be confident,
I promise to never let you down,
And in every corner there would be I expecting you for my support,
Ohh… Darling, don’t you know that you’re a fool?
Try me once; you will never forget my perfume,
I promise to shake your life, like no one before…
I’ll make your heart beat and make you feel like a kid,
And in this crazy symphony I took you into my arms,
I shared you with all the ladies,
Lying in bed, there was I with all of your prostitutes,
I never doubted about your love for me,
I always knew that you would come back,
You see my fool; I’m not like all the ladies you’ve danced before…
Man gets in line to know me,
And with you was no different,
But don’t forget that I am an expensive lady,
And in a church I whish to get married,
I will be wearing white just like the day you’ve met me,
Your mother and father in black will give me the finest jewelry,
I promise to cry all of my crystal tears when I look at my gift,
And close the box to hear the words from the priest,
-“From dust to dust,”
Now you’re just like me.
I am sorry honey, but I was married before,
That’s how I keep myself virgin,
And in a couple of weeks,
I’ll be hearing the same words,
I am famous around the world,
What’s wrong honey? Don’t you know my name?
Make your votes, my name is cocaine…
I am sorry honey,
But I’ve got to go,
It’s time to collect a soul.

Tiago Luiz dos Santos

Climb the wall




What’s wrong with you people? Fighting for god and Alah...
Mossad and Hezbollah...
Both fighting fot the same thing,
An illusion of hope and faith,
Who is your best mate?
While i see this walls where i try to climb while others beg,
Freedom is for those who are brave,
While the braves climbs the wall,
I feel my body to fall,
And in the bottom i cry and beg,
I wish to walk with my own legs,
I meet the opression of the stronger,
And i still insits to keep my chin up,
But never to brake the legs of those who stands up,
God lift my spirit up,
I just want to carry on,
Move on,
But not to walk alone,
Because i’m not the only one,
In this nasty world,
Who feels the pressure of your word,
Cutting my heart like a sword.

O Ultimo romântico



Eu sempre achei engraçado desde pequeno como o amor era algo cafona, me lembro perfeitamente de um dia em que voltava do colégio durante a minha aborrêcencia, que ainda hoje não sei se passou (risos), ver um casal na fila do ônibus se beijando e um dando mordidinhas no outro e falando como bebê aquela coisa de língua aparecendo, um mordendo o lábio do outro a respiração ofegante. Horrível... Simplesmente horrível...
Eu achava aquilo ridículo, toda aquela demonstração de afeto, parecia que eu estava vendo aqueles documentários do National Geographic channel, onde o espectador fica assistindo ao comportamento dos animais e ao mesmo tempo escuta a voz calma do narrador.

“E então o macho faz grunhidos para seduzir a fêmea e com mordidas nas bochechas excita a liberação de óvulos para que mais tarde, após pegarem um ônibus cheio de estranhos, possam copular no ninho do macho, a fêmea responde ao macho dominante com uma voz infantilizada, querendo dizer que aceita ir para o seu ninho e carregar os seus genes... O macho ao perceber a reação da fêmea fica ruborizado e se esquece por completo dos transeuntes enojados com aquela demonstração de afeto em público enquanto tentam desesperadamente olhar para qualquer lugar exceto para o casal que esta prestes a cópula... Podemos perceber aqui, como o ser humano lida com a questão do afeto em público e bla bla bla, bla bla, blábláblá...”

De repente, eu não senti mais nojo e achei aquilo tudo cômico, como nós humanos éramos tão semelhantes aos animais e aquela cena era apenas algo normal do cotidiano de todas as pessoas, mas eu pensava:
“Eu nunca vou ficar assim! Pode ser normal, mas é muito brega...” Ledo engano...
Um dia me apaixonei, e fiz exatamente tudo o que se passa na cena acima, só mudava o cenário que não convém dizer agora por questões de privacidade, e quando me dei por conta dos meus atos, disse a minha namorada da época: -“Meu, sabe que isso é muito estranho?”- E contei do casal, do meu pensamento sobre o documentário e etc... Ela virou para mim e começou a rir, e disse que concordava com tudo o que eu tinha dito, pois também já tivera esses pensamentos... Finalizando com um simples e sábio:
“-Ahh... Mas a gente esta apaixonada, a gente fica idiota mesmo...”, Bom, daí o resto fica por conta da imaginação de você leitor...
Mas qual seria a razão para estar escrevendo sobre o nosso comportamento então?
Hoje estava eu a assistir o filme “Brilho eterno de uma mente sem lembranças” e não posso dizer que gostei do filme, mas achei o final bastante interessante, onde um acaba descobrindo o que o outro pensa a respeito do companheiro e acabam por descobrir a si mesmos, e acabam aceitando um ao outro com todos os seus defeitos e qualidades, achei aquilo de uma genialidade incrível... Desculpe por ter contado o final do filme, eu tenho esse hábito (risos).
Muitos de nós não gostamos de admitir que quando perdemos uma paixão acabamos por “odiar” tanto o ser “amado” que simplesmente esquecemos de todos os bons momentos e ficamos apenas com as mágoas, isso é triste demais, carregar essa bagagem tão desnecessária e ficamos por aí, vagando pelo mundo com os corações partidos, com medo de novos compromissos, fobias e traumas, vamos nos tornando aos poucos esquizofrênicos no mundo do amor.
A paixão a meu ver é apenas como uma droga, uma fuga para o dia chato do trabalho ou da faculdade, mas o amor vai muito além disso, no amor temos que nos esforçar para aceitar as manias chatas do companheiro e as vezes não dá certo, pois as vezes a gente se cansa de ter que trabalhar 8 horas por dia e ainda chegar em casa e trabalhar a nós mesmos e nossa paciência, mas por outro lado, aqueles que sobrevivem a paixão encontram um companheiro para toda a vida e no final viram uma família de verdade... Filhos e pais, onde os pais já convivem como irmãos, um senta no bacil enquanto o outro esta a tomar o seu banho, o pai solta suas flatulências embaixo das cobertas enquanto a mãe tem que aturar a risada do pai ao ver a cara da esposa-irmã verde de enjôo... Isso sim é cômico, muitas mulheres ao lerem isso vão pensar - “Nossa, isso é nojento”-, mas o que realmente será que acontece entre as quatro paredes do quarto de nossos avós e pais? Será que isso já não ocorre em seu relacionamento? Vamos lá, sejam sinceras...
Temos essa idéia de que o amor tem que ser aquela coisa romântica, como Romeu e Julieta, Marilia de Dirceu e por aí vai, compramos essa idéia comercial que apenas os co-dependentes emocionais acreditam, tudo limpo, bonitinho e irreal...
Mas eu tenho que ser sincero, eu também compro essa idéia, porque eu acho que vale a pena levar rosas, dar uma caixa de bombom, acho que tirar o ser amado um pouco da realidade e transporta-la para um mundo de imaginação por alguns segundos não faz mal algum, aliás, acredito que faz muito bem a saúde e a auto-estima tanto minha quanto de quem recebe esse momento, o problema é quando caímos na besteira de viver como românticos, isso sim é difícil, daí acabamos por nos embriagar nos bares da cidade, enchemos o saco alheio com nossas dores emocionais, pegamos uma tuberculose aos 25 anos de idade e pronto, acabou-se o mundo do romântico por ter sido recusado pela musa, é nisso que dá ser boêmio, um dia eu já fui assim e sei muito bem do que estou falando.
Portanto caro leitor, caso um dia você faça tudo o que um romântico faz para o ser amado, nunca esqueça que antes de amar alguém, é preciso amar a si mesmo, e se um dia levares um chute por ter sido tão bondoso, bote as suas mãos gentilmente no rosto da sua musa, olhe no fundo dos olhos dela e faça como Clarck Gable em e o vento levou e simplesmente diga:
-“Francamente minha querida, eu não dou a mínima...” e saia a procura de outra, pois ela não merece o amor que você teve, e essa história será apenas mais uma história, e quando um desinformado te perguntar da “falecida” você pode dizer com um belo sorriso e um suspiro no peito:
-Eh... A Fulana “o vento levou”... Mas ontem eu conheci uma no bar, e ela é demais...
Isso sim é ser um verdadeiro romântico.